Quilombos da Paraíba: compartilhando e vivenciando experiências - de Rosângela Paiva Santos (Fotógrafos de rua)

domingo, 13 de maio de 2012
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Eu (Rosângela) e Hélio, alunos do projeto Fotógrafos de rua, saímos da comunidade às 07h30min do sábado (12/05), pegamos um ônibus na BR até João Pessoa, onde nos encontramos com Marco Antônio que esperava na rodoviária para nos levar na Estação Ciência, onde está acontecendo a exposição: “Quilombos da Paraíba”. Ao chegarmos ali, fiquei muito feliz e, ao mesmo tempo preocupada, pois era o espaço onde estava um pouco de nossa história e vidas que estavam sendo expostas para muitas pessoas de todo o mundo. O objetivo é mostrar o que queremos com aquela exposição, assim transmitir de forma clara as necessidades das comunidades e como estão hoje cada uma delas, o que mudou e o que ainda precisa ser mudado. Percebi que algumas pessoas não sabiam que na Paraíba contamos com 38 comunidades identificadas foi algo que veio confirmar minha preocupação, pois muitas pessoas apesar de estarem tão perto (das comunidades), acabam estando distantes (por desconhecimento); muitas outras olhavam as fotos com curiosidade, com vontade de conhecer como é a vida nesses lugares e começamos a interagir e colocar nossas experiências do cotidiano e, o quanto são significativos esses momentos de divulgação. Participar e contribuir para esse momento veio somar neste evento que o povo quilombola está vivo e quer continuar a viver. Mas não podemos deixar de reconhecer que tudo só está sendo possível graças à ajuda de pessoas que lutam e que nos orientam, enfim, nos mostraram que sonhar não é impossível e, esses sonhos, apesar dos problemas, estão sendo realizados.

foto de Hélio (Fotógrafos de rua)
Rosângela e Hélio indicando a sua posição na arvore genealógica













FOTÓGRAFOS DE RUA - o projeto

domingo, 26 de julho de 2009
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“Nada de especial. Nada de revolucionário. Só uma pequena tentativa de inclusão social através da fotografia digital. O projeto, desenvolvido em duas realidades de periferia e em quatro quilombos, hoje é uma realidade e pretende se difundir em outras comunidades carentes”. 
Fotógrafos de Rua tem por objetivo geral ajudar adolescentes, jovens e mães a desenvolverem um olhar mais crítico de sua realidade. Especificamente pretende contribuir para a formação de uma nova consciência de si mesmos através da análise e reflexão sobre as imagens tiradas na comunidade onde moram; pretendendo ainda, incentivar o protagonismo social e uma maior visibilidade dos jovens no cenário da sua comunidade. A finalidade é focar na formação de uma nova consciência de si mesmos através da análise e reflexão sobre as imagens tiradas na comunidade onde moram. Ensinando a técnica da fotografia, Fotógrafos de rua incentiva a autoestima dos alunos e a confiança nas suas possibilidades de desenvolvimento dentro e fora da comunidade. A fotografia poderá ser o instrumento de libertação e reconhecimento destes grupos excluídos-silenciados, no momento em que a mídia deixe “de ser mero instrumento da política e que impõe sua própria gramática com a qual os políticos têm que negociar”. As imagens de denúncia voltadas para a questão do reconhecimento social destes grupos enquanto cidadãos constituem-se como uma importante ferramenta do diálogo democrático com a sociedade que insiste na temática da metrópole, do centro urbano, enquanto a periferia e as comunidades negras isoladas imergem no esquecimento. Para tanto, o projeto Fotógrafos de Rua atua como importante instrumento para a superação da negação, "uma vez que enfrenta: (...) desafios especiais em sociedade multiidentitárias para garantir a representação e participação das minorias, protegendo, promovendo e realizando os seus direitos. O fio condutor das reivindicações dessas minorias é a idéia normativa de que os indivíduos e os grupos sociais têm de obter ‘reconhecimento". (SILVEIRINHA, 2005, p. 42)
O Projeto Fotógrafos de rua surgiu de uma iniciativa de CASAS DE LEITURA em parceria com CASA DOS SONHOS, AACADE (Associação Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes) e CECNEQ (Coordenação Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas).
Os cursos são ministrados pelo fotógrafo italiano Alberto Banal com o coordenador do projeto, Marco Antônio de Oliveira Tessarotto, assistente voluntário.

O professor Alberto e o coordenador Marco Antônio

A metodologia utilizada no projeto é composta de aulas teóricas expositivas e dialogadas, a elas se acrescentam aulas práticas nos lugares onde os alunos moram. Nas oficinas, os alunos aprendem técnicas de fotografia digital, enquadramento, posições, planos e, num segundo momento, junto com o professor, debatem sobre o conteúdo das imagens “clicadas” durante o trabalho de campo em suas comunidades locais.



Aulas teóricas e práticas nos quilombos Matão, Grilo, Pedra d'Água e Matias

Após a conclusão dos cursos são promovidas mostras fotográficas com os trabalhos produzidos pelos alunos do projeto. Com efeito, a exposição representa um momento através do qual os alunos querem mostrar as novas habilidades adquiridas, mas também, a sua visão da realidade: a percepção de si mesmos e do seu ambiente e como eles querem se comunicar “a fora”, aos outros que, na maioria dos casos, não conhecem a sua realidade ou tem uma visão estereotipada. É o começo de um caminho que exercerá um papel significativo na formação psicológica e social dos envolvidos. O Projeto Fotógrafos de Rua tem insistido na utilização de instrumentos e formas de expressão que permitam a interação e o diálogo entre a fotografia e a visão da realidade das pessoas envolvidas. Essa ação poderá contribuir para que elas tenham uma atuação mais direta na transformação de seu cotidiano. O processo de invisibilidade social é revertido graças a autorreflexão crítica que as imagens propiciam entre os atores envolvidos no projeto. Neste sentido é significativa a fala de José Trajano, aluno da Comunidade do Matão: "A união de todos é bastante intensa e com certeza, nós aprendemos muita coisa e, a partir do momento da conclusão desse curso, nós iremos dá continuidade desse processo sempre tendo essa visão crítica e também uma visão transformadora e não aquela visão de está fazendo o curso e se acomodar, mas sim, de procurar reverter essa situação porque, se assim, nós fazermos seremos bem sucedidos" (Abertura exposição no SESC. João Pessoa: 2010).

por Marco Antônio de Oliveira Tessarotto e Alberto Banal

Os alunos da Casa dos sonhos na Estação Cabo Branco e a primeira
exposição das suas fotografias

Os alunos da Casa do Jovem "Daniel Comboni" e a inauguração da 
exposição no SESC

Os alunos do Matão visitam a Estação Cabo Branco e o Centro Cultural São 
Francisco em ocasião da abertura da sua exposição "Identidade Quilombola"

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